Isolamento, Autoconhecimento e Arquitetura.

Reconhecer e conviver é o desafio

De repente, tudo voltou a ser rascunho. Estamos confinados, isolados em casa. Esta por sua vez torna-se o nosso mundo particular o tempo todo. Por isso, exige de nós, a capacidade criativa de reinventar este espaço. Reconhecer este lugar durante este evento isolado, é importante para entendermos que os limites de agora estão maiores do que habitualmente. Tudo é ampliado, depois de vários dias em casa, é preciso cautela para amenizar os problemas e a convivência.

Tal demanda de conviver, se refere também a nós. Este momento promove um autoconhecimento que pode ser importante para o nosso futuro, da casa e o que ela nos impõe como resposta.

O isolamento sugere este reconhecimento de nós mesmos, por este motivo, as vezes o espaço é dito como o vilão, mas na verdade, nós mesmos, que é difícil enxergar. Conviver conosco, com certeza é o maior desafio. Assim como admitir o autoexame durante a concepção da casa. É difícil, mas necessário para a etapa de projeto.

O autoconhecimento através da investigação de sua ancestralidade, origens, persona, propósito, memórias e necessidades, é fundamental ao compor os espaços construídos para habitar. Esta viagem precisa ser feita. Deve existir um tempo hábil para tal. Faz parte do amadurecimento e enriquecimento de informações do próprio usuário, para ele mesmo examinar-se várias vezes dentro do processo. Refazer caminhos e ter a certeza da direção a traçar.

Conhecer-se acrescenta elementos importantes para projetar no habitat. Uma casa em que eu me encontro e me relaciono bem, com este “eu”, que eu já visitei, é muito fácil de se relacionar, até em situação de confinamento.

Se eu me reconheço, me reproduzo em detalhes na minha casa, eu convivo melhor com minhas escolhas, fazendo  delas o meu reflexo. O que sou está refletido em meu habitat. Ele me representa!

Acredito ser a arquitetura verdadeira  e atemporal. Ela só muda se você mudar.

A arquitetura de interiores trata dos interiores, seu e da casa, relacionando-se o tempo todo.

Quando “eu” e a casa, estamos alinhados, em harmonia, não há excessos. Há vivências positivas.

Costumo dizer que uma casa onde se refletem os moradores, é uma casa de gente feliz.

Imagem: Rascunho do HomeChef para Casacor RS 2014

Sobre o Casa de Raiz – Um movimento que promove a importância do processo arquitetônico em transformar os espaços, e o impacto da criação na vida das pessoas. Te convida a refletir, ir um pouco mais fundo, para que haja o entendimento da arquitetura, e assim redefinir a relação com a casa. A arquiteta Hellen Fírmìno, cabeça e coração deste movimento, defende na sua prática, a casa como reflexo de que a habita.

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