A Casa do Novo Momento

Em época de pandemia, todo o cuidado é pouco! O olhar sobre o cotidiano muda drasticamente. Tudo que parecia normal, além de exigir transformação, ganha proporções maiores.

A casa que antes era dormitório nas grandes cidades, ganha status de casa para a vida acontecer. Se antes o conforto era chegar em casa e ter um lugar agradável e acolhedor, agora precisa ser ambiente de trabalho, estudos, esportes e até pequenos prazeres e lazer. Logo, a ressignificação dos espaços será inevitável. Bom para o segmento de arquitetura de interiores, pois a metragem quadrada deve ser exaustivamente trabalhada para suprir todas as necessidades. Desde o estudo de fluxos e espaços até o mobiliário que deve passear e ter multifunções no lar.

O olhar cuidadoso sobre a casa, vai desde a composição e especificação de materiais que supram tais necessidades, até a segurança dos moradores no que permeia as questões de manutenção da saúde e do bem-estar em casa.

Os espaços de circulação e uso comum devem ser repaginados a permitir assepsia, como o hall de entrada, um lugar que deve ser um cômodo para se recompor ao sair e decompor ao chegar. As varandas, como áreas externas devem ser o jardim que refresca, e proporciona o escape nos intervalos das várias atividades que acontecerão na casa. Inclusive no final do dia, como um lugar de conexão entre os usuários. Além de ser a natureza, que cria um bioclima atrativo nos centros urbanos. O home office deixa de ser um móvel para ser um ambiente, com silêncio, iluminação e ventilação adequada. Em alguns casos com agenda de uso entre os moradores que por vezes devem compartilhar o espaço. A ergonomia também deve ser compatível com este rodízio, ou seja, cadeiras reguláveis e mobilidade de tomadas e pontos de luz. As cozinhas ganham status de copa com a preparação de refeições rápidas no meio do dia. Práticas, organizadas,  e de fácil manutenção para tolerar o entra e sai da família na vazão do dia a dia. Sem falar nas lavanderias que super equipadas, devem dar conta das atividades com a inserção de tecnologia nos equipamentos. E os dormitórios? Estes passam a ser o restauro do indivíduo. O lugar de estar quieto, para finalmente relaxar. Além do banheiro que é um dos lugares mais requisitados para ficar só, relaxando num momento único.

Ufa! Ressignificar sem dó. Adaptar-se ao novo momento. Olhar estrategicamente para o uso e a vida que precisa desenhar ali. Sem preconceitos, com novas necessidades a serem encaradas de frente. E aí, criar novos conceitos de viver, e bem viver. Outra alternativa que tem se desenhado é a possibilidade de viver mais afastado das cidades, como casas de campo e praia. Inclusive a quarentena povoou tais cenários, que devem permanecer com um público fiél de moradores. Com isso a densidade se espalha, criando a conexão com cidades próximas aos grandes centros, melhorando a concentração de pessoas. Isto é bem interessante para o desenho das cidades, criando cenários diversos de economias e distribuição de renda, incentivando pequenos comércios locais.

Acredito que este redesenho de vida, deve ser propulsor de crescimento mais igualitário, exaltando a qualidade de vida nas cidades. Encarar e analisar tudo que temos a dar novos significados é a grande sacada. E que seja pensada, esgotada e executada para o bem de todos.

A arquitetura é uma ciência que está ligada diretamente nesta transformação. Ela é um instrumento, para em qualquer âmbito, projetar e executar este rearranjo.

Capa: Suíte Infantil – Arqs. Hellen Fírmìno e Daniel Moraes – Foto: Vanessa Bohn

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