O TEMPO é a raiz da Sala Toki por Juliana Pippi para Casacor SP

Olá seguidores, hoje apresentamos um ambiente que se propõe a ser um refúgio do caos externo, proporcionando um clima propício para se reconectar com o tempo e consigo mesmo. Este é o espaço de estréia da arquiteta Juliana Pippi na edição paulista da Casacor.

“És um senhor tão bonito/Quanto a cara do meu filho/ Tempo, tempo, tempo, tempo…/ És um dos deuses mais lindos.” Os versos de Caetano Veloso em sua “Oração ao Tempo” embalam a verve criativa da arquiteta. E foi o próprio tempo, senhor de todas as coisas e autenticador de todas as qualidades, materializado na proposta, uma leitura panorâmica tanto do tempo enquanto passagem cronológica, quanto da metáfora de seu aproveitamento e da angústia pela sua falta. “São Paulo, que é um dos maiores estandartes da vida apressada na megalópole para mim, enquanto forasteira, é o contrário: uma desaceleração, diz Juliana.

É tanta poesia, que descreve abaixo que resolvi discorrê-la exatamente como recebi. (seria um crime, poupá-los).

Batizada de Toki – Um Mergulho no meu Tempo, imaginou-se um pequeno cubo de 40 metros quadrados como zona de contenção, calmaria, equilíbrio e recarga, onde leveza e frescor imprimem as maiores notas por meio de paleta suave, tons esmaecidos, texturas aconchegantes e um forte apelo craft na seleção de superfícies e acessórios. As paredes, por exemplo, se harmonizam entre a composição da cerâmica assinada pela artista Hideko, as áreas de lona crua, e os encapsulamentos com telas bem fininhas em performance quase de papel-arroz, vendendo a ideia de flutuação desde o piso em mood sépia até alcançar o teto em carvalho estonado, levemente rosado, de onde pende uma escultura deslumbrante da artista Clara Fernandes. Entre ampulhetas e composições transadas de arranjos naturais, a seleção do mobiliário e dos acessórios também confronta timings diferentes, numa narrativa cheia de lógica para a arquiteta que também é musicista e apostou nos versos de Arnaldo Antunes para a trilha: “Será que a cabeça tem o mesmo tempo que a mão? O tempo do pensamento, da ação?”. Assim, o dito slow design, em peças desenvolvidas ou customizadas especialmente para  seu espaço, ofício que demanda longos períodos de feitura entre os dedos. Nessa mistura fina, a arte também abarca saberes atemporais.  Entre transparências e furtacores, o ponto de exclamação é o sofá, que ganhou índigo em tie-dye, técnica oriental milenar (também conhecida como shibori no Japão) que descolore os tecidos em manchas abstratas. E, para acentuar essa autoria handmade, a própria Juliana desenhou o tapete em tear, quase como um manifesto das reconexões com a casa, com a vida e consigo próprio, de dentro para fora e de fora para dentro. “Todo o layout é voltado para a janela, para descansar a vista e direcionar o olhar para o mundo – e para o tempo – que nos espera”.

Para finalizar, outro verso “caetânico”: “Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício/Apenas contigo e comigo/Tempo, tempo, tempo, tempo”.

Estão curiosos, para visualizar a poesia? Aí estão as fotos de Denilson Machado.

Este projeto é um belo exemplo do compromisso que a arquitetura de interiores tem com o cliente, neste caso o conceito por ser uma mostra. Ao olhar não entenderíamos, talvez, tanto significado materializado no espaço.

Precisamos cada vez mais lutar pela exposição das ideias/conceitos/raízes de cada projeto. Assim, além de olhar e ter a beleza e as sensações como resultado, divulgamos o criador e orquestrador da obra de arte, como sua referência. Logo, se entende tamanho investimento que se faz ao criar um projeto único e lapdado para se viver, priorizando significados.

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